Harvey Weinstein e a Eufemização da Violência

24 de outubro de 2017


Descrito como "predador" por suas vítimas, a maioria atrizes já consolidadas, o escândalo de abuso sexual de um dos maiores produtores do mundo revela a podridão instalada em uma indústria machista e preconceituosa.

A violência está instalada em todos os âmbitos sociais, sejam eles de classe econômica estruturalmente consolidada, ou não. Independente de raça, religião ou ideologias, a humanidade carrega as marcas de sua brutalidade há séculos. As mulheres são vítimas do machismo diariamente e seus níveis não são medidos, sendo assim sua gravidade é menosprezada na maioria das vezes.

Harvey Weinsten configura-se como um dos maiores produtores e proprietários de estúdios e empresas em Hollywood e em diversos países do mundo. Sua fortuna e poder são inigualáveis, consequentemente é uma figura querida e conhecida por todo o estrelato Hollywoodiano, sendo ele o chefe de praticamente todo este mundo de "glamour". No início de Agosto, com denúncias de abuso dirigidas ao produtor por diversas mulheres que já trabalharam com ele, os atos nojentos de Weinsten vieram à tona. Atualmente, ele se auto intitula doente e impossibilitado de responder por suas mais de TRINTA E SEIS acusações de abuso sexual.

Lupita Nyong'o comoveu o mundo com seu relato de abuso por parte de Weinsten
Mais de trinta atrizes, várias delas com nomes fortes na indústria, como: Gwyneth Paltrow, Angelia Jolie, Lupita Nyong'o... Vieram a público contar suas terríveis experiências com o produtor. Todas disseram terem sido coagidas por ele várias vezes e que isso não acontecia apenas com atrizes, famosas ou não. São inúmeras as acusações contra Harvey, sendo que trinta e seis são APENAS de atrizes que resolveram se manifestar sobre o caso. Ele possui má fama em Hollywood desde 1994, e boatos afirmam que foi responsável por destruir carreiras de diversas atrizes do 'show business' por não terem feito sua vontade. Essa era a maneira com que ele conseguia o silêncio de tantas vítimas. Usando seu poder, para então silenciá-las, assim como toda a mídia.

Contrário ao que muitas vezes imaginamos. O abuso não se esconde apenas nas camadas mais obscuras das áreas artísticas. Este ano, a ‘youtuber’ Carol Moreira foi visivelmente abusada verbalmente pelo ator Vin Diesel. Ele assediou-a sem nenhum constrangimento na frente das câmeras e de sua equipe. Obviamente, o caso teve uma repercussão gigantesca, mas infelizmente as críticas ressoaram mais em torno da vítima que do próprio agressor. São nesses - infelizes - acontecimentos rotineiros, é que o machismo do patriarcado é revelado em toda sua essência. Entende-se, então, que o preconceito não parte apenas dos agressores, mas sim de toda a sociedade que através de sua inércia consente com estes atos.

Depois da pressão da mídia sobre o NÃO pronunciamento de diversas pessoas próximas de Harvey – gente grande, como Ben Affleck, Tarantino – os mesmos incitados pela pressão se pronunciaram, ou mandaram seus agentes o fazer, sobre o caso. O curioso é que grande parte dizia já saber sobre as acusações que giravam em torno do produtor. Inclusive, alguns como Tarantino estavam cientes de pessoas em específico que sofriam nas mãos do agressor. Motivados pelo medo, incompreensão e, quem sabe, culpa, nenhum deles fez nada até tudo ser exposto ao grande público.

Woody Allen e Harvey Weinsten. Ambos acusados de abuso sexual
O caso Harvey Weinsten transparece uma Hollywood suja, entupida de falsa moralidade e esperança. Depois disso, como será a reação do grande público a premiações que, provavelmente, são compradas por este tipo de gente? Quer dizer... Todos nós sabemos o verdadeiro significado de eventos como o Oscar, mas com a coisa toda exposta, a descrença dá lugar ao desapontamento de milhares de fãs ao redor do Globo.

Assim como em década passadas, com grandes atrizes, como: Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn. A mulher continua sendo falsamente admirada e porcamente valorizada. Só se exterminará a banalização da violência, quando as pessoas que estiverem por trás disso pagarem por suas ações. Como resultado, fará com que a propagação da violência seja amenizada. Mas não se enganem... Dificilmente pessoas tão influentes pagam pelo que fazem e a mídia? Essa só se manifesta periodicamente.

Quer ler mais sobre o caso?

El País, sobre Lupita Nyong’o

Folha de São Paulo, sobre declaração de Woody Allen

O Globo, sobre declaração de Merly Streep

Nenhum comentário:

Postar um comentário
















EU VIVO LENDO. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.
DESIGN E DESENVOLVIDO POR SOFISTICADO DESIGN